“Um simples exame de sangue não é suficiente”

Alimentação é saúde

Publicado setembro 21st, 2011 por ricaspbr

As guloseimas e delícias do fast-food – o “paraíso” dos alimentos cheios de açúcar, de gordura animal, de embutidos e enlatados – podem dar água na boca na hora que estamos com fome, mas ficar longe delas e alimentar-se adequadamente pode nos proteger de várias doenças

Muito já se falou sobre a influência da alimentação na nossa saúde e sobre o quanto ela é fundamental para o desenvolvimento das crianças. Porém, quando entramos na idade adulta, muitas vezes nos esquecemos disso. Alimentação equilibrada é sinônimo de saúde, e é essencial que esse preceito básico nos acompanhe sempre. “Ao longo da vida, as necessidades nutricionais modificam-se e passam por alterações de acordo com a idade, estilo de vida e metabolismo”, explica Natália Leonetti, nutricionista oncológica do Hospital A.C.Camargo. “Com isso, uma alimentação saudável é baseada em alimentar-se de forma equilibrada para que os adultos mantenham o peso ideal e as crianças se desenvolvam”.

Uma alimentação equilibrada pode garantir uma vida saudável, evitando doenças como a obesidade, a diabetes e o câncer. É essencial que se coma de tudo um pouco, sem exageros. “Uma dieta equilibrada deve ser composta de proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas e minerais. Para isto, necessitamos de uma dieta variada que contenha todos os tipos de alimentos, sem excessos e sem exclusões”, ensina a nutricionista. “Por isso, é importante lembrar que as dietas da moda muitas vezes não vão de acordo com o conceito de alimentação saudável, justamente por excluir totalmente alguns grupos de alimentos”, alerta Natália Leonetti.

Na correria do dia a dia, muitas vezes saímos sem tomar o café da manhã, refeição indispensável e, na hora do almoço acabamos optando por um sanduíche, mas é fundamental que isso não vire um hábito. Restaurantes podem oferecer melhores opções. “Em restaurantes por quilo é importante primeiro observar todas as opções antes de escolher os alimentos. Isso evitará exageros”, sugere a nutricionista. “Comece sempre as refeições por um caprichado prato de saladas, lembrando que quanto mais colorido o prato mais completo será o aporte de vitaminas e minerais. Escolha apenas um tipo de proteína (carne, peixe, frango ou ovo) e um tipo de carboidrato (arroz, macarrão ou batata). As frutas da época são sempre boas opções para a sobremesa, além dos sucos naturais, ricos em vitaminas”, explica.

Alimentação e câncer
O relatório Saúde Brasil 2009, divulgado pelo Ministério da Saúde, revelou que 46,6% dos brasileiros estão acima do peso e que a obesidade tem forte impacto sobre uma das doenças que já se apresenta como a segunda causa de morte no país e no mundo: o câncer. Em 2010-2011, o Brasil terá quase 1 milhão de novos casos: 978.540.

Ainda, de acordo com o Inca, aproximadamente 25% de todas as mortes por câncer estão relacionadas com uma alimentação inadequada e a obesidade. “A relação entre o tipo de câncer e a alimentação é complexa, pois além de incluir diversos tipos de alimentos, deve-se levar em consideração também a forma de preparo e o tamanho das porções consumidas”, esclarece a nutricionista do A. C. Camargo.

Para Natália Leonetti, não há dados que apresentem uma relação direta entre o tipo de dieta e o aparecimento de um linfoma, mas alerta: “Uma alimentação equilibrada em quantidade e qualidade, composta por macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e rica em fibras, vitaminas e minerais (frutas, legumes e verduras, grãos integrais) atua na promoção da saúde como um todo; porém como não foram identificados fatores de risco que possam ser evitados no caso dos linfomas, não há meios de prevenção.

Não há como prevenir, mas há como diagnosticar em estágio inicial, portanto fique atento à alimentação, à saúde e aos sintomas.  Se tiver qualquer dúvida, procure seu médico.

Veja a seguir as dicas para uma alimentação saudável de Natália Leonetti, nutricionista oncológica do Hospital A.C.Camargo:

- alimentos FLV
O consumo de frutas, legumes e verduras (FLV) atribuem grande proteção contra o câncer, principalmente os de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, pulmão, pâncreas e próstata. O consumo adequado desses alimentos pode contribuir para a redução de 5-12% dos casos de câncer. FLV são alimentos ricos em vitaminas e minerais que atuam fortalecendo o sistema imune. Também são fontes de substâncias fitoquímicas, que ajudam a proteger o organismo dos danos que podem levar ao câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo diário de pelo menos cinco porções de FLV – em torno de 400 g/dia.

- fibras
As fibras também são consideradas fator protetor contra o câncer, aumentando o trânsito intestinal, reduzindo o tempo em que substâncias químicas presentes nas fezes permaneçam em contato com o intestino. Alimentos ricos em fibras, como frutas, vegetais e cereais integrais podem reduzir o risco de câncer de intestino em até 40% quando comparados com indivíduos que não consomem fibras.

- carnes
Já o consumo de carne vermelha e embutidos em excesso pode aumentar o risco de câncer de intestino e possivelmente de estômago e pâncreas. Carnes vermelhas e processadas contêm nitritos e nitratos que são convertidos em nitrosaminas (compostos carcinogênicos). O método de preparo desses alimentos também afeta o risco de câncer. Altas temperaturas, como churrasco, produzem substâncias químicas chamadas aminas heterocíclicas. Essas aminas podem danificar o DNA e aumentar o risco de câncer.

- álcool
O álcool está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer: boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e intestino, e este risco aumenta independentemente do tipo de bebida.

- obesidade
De acordo com a OMS, o excesso de peso (sobrepeso e obesidade) é a segunda causa evitável de câncer, atrás apenas do tabagismo. Está associado ao aumento do risco de câncer de esôfago, pâncreas, colorretal, mama (em mulheres na pós menopausa), endométrio, rim e vesícula; além de fator de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e diabetes tipo 2.

Texto: Cássia Fragata

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